Basics
O que é a nanotecnologia?
A nanotecnologia é um campo vasto, inclui actividades a nível atómico e molecular (ou, mais especificamente, entre 1 e 100 nanómetros) que podem ter aplicações no mundo real. Reconhecendo a diversidade de actividades que o termo comporta, muitas pessoas preferem falar em nanotecnologias em vez de nanotecnologia.
Uma característica comum a muitas nanotecnologias são as propriedades especiais que os materiais exibem a esta escala. Por exemplo, dividindo um certo volume de material em partículas de nanoescala, a área de superfície é radicalmente aumentada. Isto aumenta muito a reactividade do material. É por isto que o açúcar em pó é dissolvido mais rapidamente que o açúcar granulado. Além disso, o tamanho reduzido das nanopartículas permite-lhes entrar nas células ou atravessar a pele.
Tal como qualquer outra tecnologia (p. ex. aço, electricidade) todas estas propriedades especiais podem ser úteis ou perigosas, dependendo da situação.
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Muito! A esta escala os materiais com que estamos familiarizados podem apresentar novas propriedades eléctricas, químicas e magnéticas. Podemos manipular átomos individualmente ou até construir pequenos motores.
Nanopartículas são pequeníssimos pedaços de material. Ao diminuir o tamanho de uma partícula a sua área de superfície torna--se relativamente maior. É por isto que o açúcar em pó se dissolve melhor do que o açúcar granulado.
Partículas de dimensões nanométricas poderão entrar nas células ou atravessar a pele. Como qualquer tecnologia que surge como inovadora no seu tempo, (p. ex. electricidade) estas propriedades podem ter tanto de bom e útil, como de perigoso.
Os materiais comportam-se de maneira diferente do habitual. Por exemplo:
• O ouro, normalmente inerte, torna-se mais reactivo e funde a uma temperatura mais baixa.
• O cobre deixa de ser um bom condutor de electricidade.
O termo nanotecnologia é usado para descrever qualquer tecnologia que lide com objectos com tamanho entre o 1 e os 100 nanómetros, em pelo menos uma das suas dimensões.
1nm = 1x10-9m = 0,000001mm
As nanopartículas de ouro e de prata encontram-se naturalmente em rochas sedimentares. As erupções vulcânicas produzem nanopartículas, e alguns sais marinhos contêm nanopartículas.
Um nanotubo é uma minúscula folha de carbono com a forma de um cilindro. Tem um diâmetro de poucos nanómetros, e é cerca de 10.000 vezes mais fino que um cabelo humano.
“Fábricas e laboratórios de investigação devem tratar as nanopartículas e nanotubos produzidos artificialmente como materiais perigosos e tentar reduzir ou eliminá-los totalmente dos efluentes”.
As nanopartículas e os nanotubos têm propriedades diferentes daquelas que teriam a uma escala maior. Sendo tão pequenas, estas partículas podem penetrar nas células e por vezes ser mais tóxicas.
A Royal Society inglesa, um organismo científico independente, recomendou que as pessoas devem evitar o contacto com nanotubos transportados por via aérea até que seja feita mais investigação.
O cientista Eric Drexler sugeriu que as nanomáquinas se poderiam vir a autorreplicar e a consumir todos os recursos da Terra, deixando para trás uma massa de resíduos cinzenta. Este não é já um cenário que se afigure possível, tendo o cientista retirado as suas afirmações.
Exibem uma resistência fora do comum (100 vezes mais fortes e 6 vezes mais leves que o aço) e propriedades eléctricas. Isto é potencialmente útil para libertação de fármacos, bem como para aplicações eléctricas e mecânicas.
Os EUA e o Japão são os maiores investidores. A UE juntamente com os países Europeus tem disponível mais de um bilião de euros para um período de quatro anos. Os maiores países em vias de desenvolvimento também são investidores.
Nanopartículas de prata têm sido usadas em meias, de forma a reduzirem o cheiro. O efeito antibacteriano da prata é potenciado pelo aumento da área superficial à nanoescala.
A Marinha dos EUA começou a colocar revestimentos cerâmicos nanométricos nos seus navios. O revestimento previne a degradação dos componentes metálicos provocada pela flora e fauna marinha, poupando cerca de um milhão de dólares/ano por cada navio
Nanopartículas magnéticas podem guiar e posicionar fármacos no local exacto da doença. Os nanotubos podem ser cheios com fármacos que são depois libertados, sendo que o controle pode ser feito a partir do exterior do corpo.
Partículas de ouro acopladas a fragmentos de ADN podem ser usadas para detectar no sangue organismos causadores de doenças, tais como vírus ou bactérias.
As vacinas podem ser encapsuladas em nanomateriais de modo a que deixe de ser necessário refrigeração para a sua conservação. Ninguém ainda sabe o que acontecerá quando forem abertas, mas está neste momento a ser estudado.
Nanopartículas de ferro podem ser produzidas para se ligarem a tecido canceroso. Podem depois ser aquecidas usando campos magnéticos, destruindo as células cancerosas.
Actualmente, as próteses plásticas para a anca duram aproximadamente dez anos. Com um revestimento cerâmico, podem durar até 40 anos, uma vez que a cerâmica à nanoescala é muito mais durável.
Novos aparelhos de iluminação equipados com a tecnologia dos nanotubos de carbono podem reduzir o consumo de electricidade para metade.
Novos materiais podem reduzir os custos das células fotoeléctricas. Isso pode tornar economicamente viável a produção de electricidade a partir de células fotoeléctricas – energia solar.
Nanopartículas específicas podem ser usadas para despoluir água, solos ou mesmo ar. Podem também ser criadas membranas com poros suficientemente pequenos para filtrarem vírus.
Nanomateriais emissores de luz podem ser usados para fazer ecrãs de TV com a espessura de uma folha de papel, que podem ser enrolados como um jornal.
Poderão, até, precisar apenas de uma pequena quantidade de energia eléctrica para funcionar.
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É aceitável que se usem processos desenvolvidos para tratamento médico como potenciadores do corpo humano, tal como, melhorar a memória ou abrandar o processo de envelhecimento?
Algumas pessoas pensam que as nanotecnologias irão ter um impacto nas nossas vidas semelhantes ao da electricidade e dos plásticos, mas ninguém sabe ao certo se o que foi descoberto até agora irá ser realmente útil.
Os exemplos incluem aumento da resistência a fármacos de vírus e bactérias, persistência de poluentes no ambiente, acidentes nucleares, derrames de crude e aquecimento global. Os impactos da nanotecnologia são igualmente imprevisíveis.
A descriminação dos indivíduos que não desenvolveram artificialmente as suas capacidades pode ser uma realidade.
Em que medida deve o público estar envolvido na elaboração da agenda relativa à investigação em nanotecnologia?
A questão-chave relativamente à equidade é o de saber como é possível usar a nanotecnologia para promover o desenvolvimento, como estreitar o fosso entre o mundo rico e o pobre?
É grande a incerteza sobre o que poderá acontecer se nanopartículas penetrarem no nosso organismo. Uma das preocupações é saber como poderão afectar a função das proteínas.
As nanopartículas não são novas. Inalamo-las nos gases de combustão dos motores diesel, no fumo dos cigarros, nas lacas de cabelo, no fumo de velas e das torradeiras.
Não há informação disponível sobre o efeito de nanopartículas em outras espécies além da humana, ou sobre a forma como se comportam no ar, água ou solo.
Para que haja inovação, a procura do conhecimento não pode ser constrangida pela regulamentação.
Embora alguns argumentem que a nanotecnologia é eticamente neutra e que o seu impacto depende da forma como for posteriormente usada, muitos outros defendem que a tecnologia reflecte os valores do inventor, do financiador e da sociedade.
Há diferença entre a investigação financiada pela indústria e a financiada pelos Estados? Devem ser aplicadas diferentes legislações? É correcto manter em segredo resultados de investigações para fins comerciais?
Poderá a nanotecnologia contribuir para alargar ainda mais o fosso entre ricos e pobres? Poderão futuras legislações ocidentais, extremamente restritivas, forçar a implementação de indústrias em países pobres, obrigando a respectiva população a sujeitar-se a perigos proibidos no Ocidente?
• Quem controla a sua utilização?
• Quem beneficia com a sua utilização?
Devemos contentar-nos em ter uma esperança de vida “normal”, ou devemos tentar parar o processo de envelhecimento?
Há o perigo da nanotecnologia “descarrilar” se os estudos sobre as suas implicações éticas, ambientais, económicas, legais e sociais não acompanharem o ritmo da produção de conhecimento.
“ Uma boa legislação é mais importante que qualquer envolvimento do público” - Jonathon Porritt, Reino Unido, ambientalista.
O Relatório da Royal Society inglesa, organismo científico independente, diz que deve acontecer “antes de qualquer decisão crítica sobre tecnologia se tornar irreversível”. Isto tende a acontecer quando as indústrias começam a comercializar os seus produtos.
É quase impossível abrandar ou controlar algumas áreas científicas apenas num país, quando o mundo está cada vez mais globalizado.
Podemos desenvolver um processo legislativo realista para regular uma área tão diversa e com um crescimento tão elevado como é a nanotecnologia?
Pode ser já suficiente para regular as aplicações do dia-a-dia em países que têm legislações rigorosas em áreas como: saúde e segurança no trabalho, fármacos e ambiente.
Os governos podem adquirir “capacidade de vigilância ilimitada”, com a possibilidade de serem produzidos aparelhos de monitorização e localização quase invisíveis.
As tecnologias do séc. XXI – genética, nanotecnologia, robótica – são tão poderosas que podem criar muitos novos tipos de acidentes e abusos. Pela primeira vez, estão ao alcance de indivíduos e de pequenos grupos.
Vai permitir que os comerciantes lojistas e produtores saibam quem comprou o quê e onde está o produto. É mais um benefício, por exemplo, para a prevenção do crime, ou um inconveniente, por exemplo, para a privacidade.
Story cards
Policies
Rápida expansão da nanotecnologia, regulação mínima.
Promover a rápida expansão das nanotecnologias, com o mínimo de legislação e regulamentação, de modo a assegurar que os seus benefícios sejam atingidos o mais rapidamente possível.
Prosseguir com a nanociência mas regulamentando.
Permitir que a investigação científica em nanotecnologias prossiga, formulando novos regulamentos ajustados a potenciais desenvolvimentos que forem surgindo.
Nanociência regulamentada através do diálogo público.
Idêntica à posição 2, acrescentando a abertura de diálogo público sobre os sentidos que a investigação e as aplicações possam vir a tomar
Não à nanociência, a não ser em caso de concordância específica e pública.
Permitir apenas a investigação e as aplicações cujos objectivos específicos tenham passado por debate e diálogo públicos à escala nacional.



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